Quando a enchente chegou ao Vale do Taquari, construímos o PetsRS
Em maio de 2024, o Vale do Taquari foi devastado pela enchente. O PetsRS, criado pelos fundadores Zeno e Mateus, ajudou a reunir centenas de famílias com seus pets perdidos. Esta é a história e o que ela ensinou.
Em maio de 2024, o Vale do Taquari, no Rio Grande do Sul, foi devastado pelas piores enchentes da história recente do estado. Famílias desabrigadas, cidades submersas, vidas viradas do avesso.
Nosso time estava ali. E em vez de assistir, construímos o PetsRS.
PetsRS: reunindo famílias e pets
A enchente chegou rápido demais. Muita gente saiu de casa com a roupa do corpo, sem conseguir levar seus animais. Cachorros e gatos foram resgatados por voluntários, levados para abrigos improvisados, depois para famílias temporárias, e acabaram desaparecidos para seus donos originais.
Quando a água baixou, faltava algo simples: uma forma de cruzar os pets resgatados com as famílias que os procuravam.
Zeno e Mateus, dois fundadores da Prefa, criaram o petsrs.com.br. A ideia era direta:
- Famílias que perderam seus pets registravam o animal: foto, nome, raça, descrição, bairro de onde sumiu.
- Voluntários e abrigos registravam pets resgatados, com foto e local onde foi encontrado.
- A plataforma cruzava os dados e mostrava prováveis correspondências para quem buscava.
Centenas de famílias reencontraram seus animais pela plataforma.
A operação viralizou entre grupos de voluntariado pet do estado. Em poucos dias, a base tinha milhares de cadastros e a imprensa local divulgou. O sistema segue no ar até hoje, mantido pelos fundadores como contribuição à comunidade.
O que aprendemos com o PetsRS
Simplicidade ganha de feature. Em uma crise, o usuário não tem paciência para aprender app. Um formulário curto funcionou melhor que qualquer interface elaborada.
A tecnologia escala onde a coordenação humana trava. Voluntários no chão estavam fazendo o trabalho braçal. Faltava uma camada digital que organizasse a informação.
Resposta rápida importa mais que produto perfeito. Tivemos a plataforma no ar em dias, não meses. Em emergência, isso vale ouro.
Como bônus: o Prefa Logi que nunca rodou
Não foi a única coisa que construímos naquele período. Fomos procurados por órgãos envolvidos na logística de doações com uma demanda específica: uma ferramenta que coordenasse entregas com geolocalização e impedisse duplicações.
O Prefa Logi ficou pronto em menos de uma semana:
- Cada voluntário se cadastrava na plataforma.
- Cada entrega era registrada com localização GPS, foto e identificação do beneficiário.
- O mapa mostrava em tempo real onde já tinha chegado ajuda e onde faltava.
- Entregas duplicadas eram bloqueadas automaticamente.
A ferramenta acabou não sendo usada na prática. A operação no chão seguiu manual, por motivos que não cabe a nós julgar. Mas a experiência marcou. Construir um produto funcional em sete dias, sem fila de prioridades, sem reunião de discovery, sem comitê, apenas com uma necessidade clara e a vontade de servir, virou referência interna para quando há urgência real.
O que isso virou na Prefa hoje
O petsrs.com.br segue no ar até hoje, mantido pelos fundadores como contribuição contínua à comunidade. O Prefa Logi não voltou a rodar. Mas o que aprendemos com os dois virou cultura interna:
- Estar perto do problema que se quer resolver não é discurso, é metodologia.
- Software municipal precisa funcionar quando mais importa, não quando está tudo confortável.
- Coordenação frequentemente resolve antes de qualquer automação.
Esses princípios estão no Prefa 156, no Prefa Assistant e em cada decisão de produto que tomamos. Quando uma prefeitura nos procura hoje, é com essa bagagem que entramos na conversa.